Humoristas lutam para sobreviver
A crise econômica e as mudanças nos hábitos de consumo têm afetado diretamente os humoristas brasileiros. Muitos relatam dificuldades para conseguir cachês dignos e espaços para se apresentar. A situação é especialmente grave entre os comediantes iniciantes, que dependem de casas de show e bares para mostrar seu trabalho.
Em São Paulo, a casa de espetáculos ‘Comédia ao Vivo’ fechou as portas em maio, deixando dezenas de artistas sem palco. ‘Estamos vivendo um momento de vacas magras’, afirma o humorista Felipe Rufino, que há 10 anos atua na noite paulistana. ‘Antes, tínhamos pelo menos três ou quatro oportunidades por semana. Agora, mal conseguimos uma.’
A situação não é diferente no Rio de Janeiro. O tradicional ‘Bar do Riso’ reduziu suas apresentações de cinco para duas por semana. ‘O público sumiu. As pessoas estão mais seletivas com o dinheiro’, lamenta a proprietária Márcia Alves.
Especialistas apontam que a concorrência com plataformas de streaming e redes sociais tem tornado a carreira de humorista ainda mais desafiadora. ‘O humor online é gratuito e instantâneo. Isso diminuiu o valor percebido do show ao vivo’, explica o economista cultural Paulo Sérgio.
Diante desse cenário, associações de classe têm se mobilizado para buscar alternativas. A Associação dos Humoristas do Brasil (AHB) lançou uma campanha de incentivo ao teatro presencial. ‘Precisamos que o público volte a valorizar o riso ao vivo’, convoca o presidente da entidade, Carlos Alberto.
Enquanto isso, os humoristas seguem na batalha diária para arrancar sorrisos – e pagar as contas.
