Uma equipe de arqueólogos da Universidade de Bradford, em parceria com o Instituto de Geologia Marinha de Kiel, anunciou a descoberta de ruínas submersas no fundo do Mar do Norte, a cerca de 40 quilômetros da costa leste da Inglaterra. A datação por carbono indica que as estruturas têm aproximadamente 10.000 anos, anteriores a Stonehenge e às pirâmides do Egito.
O sítio, batizado de ‘Doggerland Resurgente’, consiste em vestígios de habitações, ferramentas de pedra e até um antigo leito de rio, indicando que a área era uma vasta planície habitada por povos mesolíticos antes de ser inundada pelo aumento do nível do mar, após a última era glacial.
A líder da pesquisa, Dra. Evelyn Hartwood, afirmou: ‘Esta é a descoberta mais significativa da arqueologia europeia nas últimas décadas. Doggerland sempre foi um mito, um continente perdido, mas agora temos evidências concretas de uma sociedade complexa, com estruturas organizadas e provavelmente uma cultura rica.’
A equipe utilizou sonares de alta resolução e veículos operados remotamente para mapear a área, revelando o que parece ser uma aldeia com cerca de 10 estruturas, incluindo o que poderia ser um santuário circular, com um raio de 15 metros.
Além das estruturas, foram encontrados artefatos como pontas de flechas, machados de pedra polida e restos de fogueiras. Os pesquisadores acreditam que a área era um local de encontro sazonal, com uma população estimada em algumas centenas de pessoas.
A descoberta tem implicações significativas para a compreensão da migração humana na Europa. ‘Doggerland era uma ponte de terra que ligava a Grã-Bretanha ao continente europeu, e esta descorita confirma que era habitada e culturalmente vibrante’, comentou o professor Lars Andersen, do Instituto de Kiel.
Os cientistas planejam agora realizar escavações subaquáticas mais detalhadas, com mergulhadores e equipamentos de sucção especializada, para recuperar mais artefatos e, possivelmente, restos humanos que possam revelar mais sobre a vida desses povos.
O governo britânico já sinalizou interesse em proteger o sítio e considera incluí-lo na lista de patrimônios históricos da UNESCO.
