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Riso em Quarentena: Como Humoristas Brasileiros Reinventaram o Stand-Up

Da crise nas casas de espetáculo ao boom dos shows virtuais, comediantes como Fábio Porchat e Whindersson Nunes lideram nova era do humor no Brasil.

O Humor Sobreviveu à Pandemia?

Quando as portas dos teatros se fecharam em março de 2020, o mercado de humor no Brasil enfrentou seu maior desafio. Em questão de semanas, comediantes de todo o país migraram para o ambiente digital, criando um novo modelo de negócio que mescla live shows, plataformas de streaming e redes sociais.

Segundo dados da plataforma Sympla, as vendas de ingressos para eventos de humor caíram 80% no primeiro mês de isolamento. No entanto, já em abril, os primeiros shows online começaram a surgir. Fábio Porchat foi um dos pioneiros, com sua série de lives no YouTube que chegou a reunir mais de 1 milhão de espectadores simultâneos.

O fenômeno não se restringiu aos nomes consagrados. Humoristas regionais, como Paulo Vieira e Yuri Marçal, também ganharam projeção nacional ao adaptarem seu humor para o formato remoto. A Netflix e o Comedy Central investiram pesado em especiais gravados em casa, como o de Rita Lee (sim, a cantora também fez humor) e o de Danilo Gentili.

Mas o grande destaque talvez seja Whindersson Nunes, que transformou sua quarentena em uma fábrica de memes e vídeos virais. Seu canal no YouTube ganhou 5 milhões de novos inscritos em 2020, impulsionado por esquetes sobre o dia a dia no isolamento. Whindersson também lançou o podcast “Achismos”, que rapidamente se tornou um dos mais ouvidos do país no Spotify.

A transformação digital, no entanto, trouxe desafios. A monetização dos shows online ainda é incerta, e muitos humoristas relataram dificuldades com direitos autorais e pirataria. A Associação Brasileira de Humoristas (ABH) estima que 30% dos profissionais da área migraram definitivamente para o digital, enquanto outros 20% abandonaram a carreira.

Para o futuro, a tendência é de um modelo híbrido. Casas de espetáculo como o Teatro Renaissance, em São Paulo, já planejam retomar os eventos presenciais com transmissão simultânea para públicos online. “O riso não pode parar”, afirma a humorista Mhel Marrer, que voltou a fazer shows presenciais em 2022. “Mas agora sabemos que a tela também pode ser um palco.”

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